1A estrada de Jerusalém para Jericó era longa e pedregosa, serpenteando por colinas de pó dourado pálido.
2Uma tarde quente, um viajante chamado Eli percorria essa estrada, com as suas sandálias a raspar suavemente nas pedras.
3Um homem com uma túnica fina passou a caminhar pelo mesmo caminho. Viu Eli ali sentado. Olhou, deteve-se por um instante — e depois seguiu em frente, afastando-se para o outro lado da estrada sem dizer uma palavra.
4Depois passou um segundo homem a passo apressado. Lançou um olhar de relance a Eli, apertou um pouco mais o seu manto e continuou a andar, com as sandálias a bater mais depressa nas pedras.
5Então ouviram-se passos calmos e tranquilos. Um homem da Samaria — um lugar bem longe da terra de Eli — dobrou a curva da estrada. Vestia uma túnica de linho cor de creme e um manto da cor suave das águas profundas, com uma faixa castanha atada à cintura. Quando viu Eli, não desviou o olhar. Parou.
6«Amigo», disse o samaritano, agachando-se ao seu lado, «pareces muito cansado. Posso ajudar-te?»
7Depois, com cuidado, tirou um pano limpo dobrado da sua mochila e enrolou-o suavemente à volta do antebraço dorido de Eli, prendendo a ponta com dedos atentos.
8O samaritano ajudou Eli a levantar-se, e os dois homens caminharam juntos, devagar, até à estalagem no fundo da colina.
9Quando as estrelas começaram a aparecer sobre a estrada empoeirada, Eli olhou para o homem bondoso que estava ao seu lado. «Nem me conhecias», disse ele em voz baixa. «Porque paraste?»
10O samaritano sorriu, os seus olhos castanhos e gentis brilhando quentes à luz da lamparina. «Porque», disse ele simplesmente, «eu vi-te.» Um vizinho não é apenas alguém que vive na porta ao lado. Um vizinho é qualquer pessoa por quem escolhemos parar — qualquer pessoa que verdadeiramente vemos.
