1No fundo da velha floresta verde, onde os carvalhos cresciam tão altos que as suas copas roçavam as nuvens, vivia uma menina que todos chamavam Capuchinho. Ela usava uma capa de lã carmesim que a avó lhe tinha cosido, e nunca a tirava, nem mesmo nas manhãs quentes como aquela.
2Capuchinho assentiu com a cabeça, colocou o cesto no braço e entrou na floresta.
3O caminho serpenteava entre raízes musgosas e manchas de sol. Campainhas azuis balançavam de cada lado. Capuchinho cantarolava para si mesma, as suas tranças escuras a abanar, as suas botas castanhas a crocitar suavemente sobre as folhas caídas.
4Os dedos de Capuchinho apertaram o cabo do cesto. Ela lembrou-se do que a mãe lhe dizia sempre: Não partilhes os teus planos com estranhos. «Estou só a passear», disse ela com educação, sem parar de andar.
5Capuchinho reparou no olhar dele. Reparou também no atalho, e notou como ele já ia a trotear por lá a toda a velocidade.
6Ela não o seguiu. Ficou mesmo no caminho largo e banhado de luz, e continuou a andar com ainda mais segurança do que antes.
7Mas antes de Capuchinho conseguir sequer levantar o ferrolho, ouviu um som suave lá dentro — um zastre a fechar-se com um clique firme. A avó já tinha ouvido as grandes patas nas pedras do jardim e tinha fechado a própria porta à chave.
8O lenhador saiu da orla da floresta, o machado ao ombro, e ficou simplesmente ali, à vista de todo o clarão. Foi suficiente. O Lobo, que só queria uma manhã tranquila e sem ser notado, achou o clarão demasiado cheio de gente e demasiado iluminado.
9Ele olhou uma vez para o lenhador, uma vez para Capuchinho a ficar calmamente ao lado do seu cesto, e depois virou-se e deslizou de volta entre as abetos sem fazer nenhum som.
10«Entra, querida», disse a Avó. «Fiz espaço na mesa para bolinhos de mel.» Capuchinho apanhou o cesto, endireitou o capuz carmesim e entrou, onde o lume estava quente e o chá de flor de sabugueiro estava quase pronto para ser servido.
