Um gato vadio encharcado, duas portas que não se abrem e uma menina que decide agir na mesma
O Gato Debaixo do Banco é uma banda desenhada gratuita de 7 páginas para crianças sobre bondade. Maya encontra um gato vadio encharcado debaixo de um banco, à chuva, bate a duas portas que não a ajudam e leva-o para casa dentro do casaco. Foi criada com o ReadKidz e pode ser lida na íntegra nesta página.
Uma tradução para a língua do leitor acompanha cada página.
Página 1
The rain came down in gray curtains, soaking the pavement and drumming on every rooftop in the street.
Maya pulled her jacket tight and ran, her sneakers splashing through puddles, her bag bouncing hard against her back.
She was almost at the corner when she saw it — a small shape beneath a wooden bench, pressed flat against the ground.
A chuva caía em cortinas cinzentas, encharcando o passeio e tamborilando em todos os telhados da rua.
Maya apertou o casaco à volta do corpo e correu, com as sapatilhas a chapinhar nas poças e a mochila a bater-lhe nas costas.
Estava quase a chegar à esquina quando o viu — uma pequena forma debaixo de um banco de madeira, achatada contra o chão.
Página 2
It was a cat. Soaking wet, the color of storm clouds, with its ears pinned down and its whole body trembling. It watched Maya with wide amber eyes but didn't move, not even when a car rolled past and sent a wave of cold water skimming across the pavement.
Maya crouched down.
Rain soaked through the knees of her jeans.
Era um gato. Estava encharcado, da cor das nuvens de tempestade, com as orelhas baixas e o corpo todo a tremer. Observava Maya com grandes olhos âmbar, mas não se mexia, nem quando um carro passou e lançou uma onda de água fria pelo passeio.
Maya agachou-se.
A chuva encharcou os joelhos das suas calças de ganga.
Página 3
The cat blinked at her slowly, then looked away, as if pretending not to need anything at all.
Maya pulled her jacket off and draped it over her bag, making a kind of roof.
The cat's trembling slowed, just a little.
She knocked on the nearest door — number fourteen — but nobody answered.
She knocked on number sixteen.
An old man opened it, shook his head at the cat, and closed the door again.
O gato piscou os olhos devagar para ela e depois desviou o olhar, como se fingisse não precisar de nada.
Maya tirou o casaco e colocou-o sobre a mochila, fazendo uma espécie de abrigo.
O gato tremeu menos, só um bocadinho.
Bateu à porta mais próxima — a do número catorze — mas ninguém respondeu.
Bateu à porta do número dezasseis.
Um homem idoso abriu a porta, abanou a cabeça ao ver o gato e voltou a fechá-la.
Página 4
Maya stood on the step and looked back at the bench.
The cat was still there, watching her.
She walked back and sat beside the bench, right on the wet ground, and reached one hand underneath. The cat sniffed her fingers. Its nose was cold. Its fur was absolutely drenched. Very slowly, it pressed the top of its head against her palm.
Maya ficou no degrau e olhou para o banco.
O gato ainda lá estava, a observá-la.
Voltou atrás e sentou-se ao lado do banco, mesmo no chão molhado, estendendo uma mão por baixo dele. O gato cheirou-lhe os dedos. Tinha o nariz frio. O pelo estava completamente encharcado. Muito devagar, encostou o alto da cabeça à palma da mão dela.
Página 5
Maya tucked the cat inside her jacket, holding it against her chest. It was heavier than it looked, and it dug its claws lightly into her sleeve, not enough to hurt, just enough to hold on. She started walking toward home again. The rain didn't slow down.
Maya meteu o gato dentro do casaco, segurando-o contra o peito. Era mais pesado do que parecia e enterrou levemente as garras na manga dela, não o suficiente para magoar, apenas o suficiente para se agarrar. Recomeçou a caminhar para casa. A chuva não abrandou.
Página 6
Her mother opened the front door before Maya even reached the step. She took one look at her daughter — soaked through, shoes squelching, a pair of amber eyes glowing from inside the jacket — and put her hand over her mouth.
"His name is Kay," Maya said firmly, before her mother could say a single word.
A mãe abriu a porta de casa antes de Maya chegar sequer ao degrau. Olhou uma vez para a filha — encharcada até aos ossos, com os sapatos a fazer chape-chape e um par de olhos âmbar a brilhar de dentro do casaco — e levou a mão à boca.
«O nome dele é Kay», disse Maya com firmeza, antes de a mãe conseguir dizer uma única palavra.
Página 7
Kay looked up from inside the jacket. He sneezed. Then he tucked his nose under Maya's chin and stayed very, very still, listening to the rain.
Kay olhou para cima, de dentro do casaco. Espirrou. Depois enfiou o nariz debaixo do queixo de Maya e ficou muito, muito quieto, a ouvir a chuva.
Para adultos
O mais importante nesta história é aquilo que não acontece: nenhum adulto resolve o problema. Maya bate a duas portas e não consegue ajuda, e a história não castiga esses vizinhos nem os transforma em vilões — deixa-a simplesmente ali, no degrau, a decidir o que vai fazer. As crianças a quem dizem para «ir chamar um adulto» raramente vêem como é ser a pessoa que age. Ela também dá um nome ao gato antes de pedir autorização, o que merece um sorriso e uma conversa.
Conversem sobre ela
Duas portas não ajudaram a Maya. O que terias feito a seguir?
O gato desviou o olhar, «como se fingisse não precisar de nada». Porque faria isso?
Maya tirou o casaco à chuva para fazer um abrigo. O que lhe custou isso?
Ela diz «O nome dele é Kay» antes de a mãe poder falar. Porque achas que lhe deu um nome primeiro?
O que precisarias de fazer antes de poderes cuidar de um animal?
Perguntas frequentes
Quanto tempo demora a ler O Gato Debaixo do Banco?
Sete páginas — uma leitura curta, de cerca de cinco minutos, e uma boa primeira banda desenhada para uma criança que está a começar a ler vinhetas.
Para que idade é esta banda desenhada?
Foi criada para crianças dos 7-9 anos, embora as imagens contem grande parte da história, por isso os leitores mais novos também a acompanham facilmente.
O gato pode ficar?
Sim. Na última página, Kay está aninhado debaixo do queixo da Maya, a ouvir a chuva. Nesta história, nada de triste acontece ao animal.